Pedra da Mina – Passa Quatro: de nível intenso é a quarta montanha mais alta do Brasil

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A Pedra da Mina é a quarta montanha mais alta do Brasil, localizada no trecho da Serra Fina, na Serra da Mantiqueira, uma das cadeias montanhosas mais importantes do país. A montanha fica na fronteira dos estados de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, ao norte e ao sul. Com 2.798 metros de altitude, é o ponto mais alto da Serra da Mantiqueira e do estado de São Paulo, e a segunda montanha mais alta do estado de Minas Gerais.

A Pedra da Mina não está localizada em nenhum parque nacional ou estadual, mas está dentro da Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira e, portanto, ainda é legalmente protegida até certo ponto.

Meu projeto é subir os 5+ do Brasil, e como todo projeto, tem que ser bem calculado os dias e horários. Antes da Pedra da Mina, conquistei o Agulhas Negras e Maciço das prateleiras.

A temporada de montanhas praticamente ja acabou, normalmente é de Maio a Setembro, mesmo assim aproveitei o feriado de finados (02/11/18) e bora-lá. Falei com o Léo da agência Araucária e combinamos tudo certinho. É um pacote bem legal, principalmente para iniciantes de montanhas ou pessoas com pouca resistência.

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Aproveitando as forças para um Selfie

O guia dispõe de barraca, alimentação, e cozinha na janta antes de atacar o cume. E mais, você também fica hospedado em um hostel antes e depois da expedição, no meu caso fiquei no Hostel Serra Fina que por sinal é muito bom.


Pico das Agulhas Negras e Maciço das Prateleiras: O trajeto até a chegada ao topo é bem puxado, mas compensa pelo visual único e exuberante.


O montanhista pode optar pela subida a partir da fazenda Serra Fina (conhecida como Trilha do Paiolinho) ou pela travessia da Serra Fina, que tem duração de 4 dias (96 horas), com trajeto que passa pela Pedra da Mina. É a travessia mais difícil do Brasil, evite subir no verão, pois o tempo pode mudar rapidamente e a incidência de raios é grande.

De nível intenso o bom condicionamento físico é importante, a subida começa na fazenda serra fina e leva em media 6h sendo percorrido 8km pelo um terreno íngrime onde a subida não da trégua, todo o percurso é feito por cristas e possui três pontos onde é possível encher as garrafas de água, o ultimo deles fica praticamente na metade do caminho.

Em 50 minutos de caminhada, por entre uma trilha tranquila em terreno firme plano e por entre muitas águas conseguem se depara com o primeiro ponto de água, um pequeno filete que atravessa a trilha que é um Prelúdio do segundo ponto.

Poucos minutos a frente e por sinal é o mais bonito riacho com fundo de luz de águas transparentes, que passam sobre as rochas a travessia é feita sobre pedras escorregadias, com muita cautela, um deslize pode acabar com toda a caminhada. Na parte mais baixa existe uma pequena queda d’água que em períodos quentes é um convite para um refrescante banho.

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início do trekking

Com a beleza de todo esse lugar, faça uma parada de 10 minutos no mínimo para admiração, rápido descanso e várias fotos. No percurso até o pico da Pedra da Mina é formado por cachoeiras e belas paisagens do lugar onde faz refrescar e aproveitar para tomar um banho. A trilha mostra um grau mais elevado de dificuldade depois o plano se torna uma desgastante subida, mas ainda nada que desanime os aventureiros com passadas mais lentas o caminho agora é feito por uma trilha talhada por água de chuva ainda debaixo de árvores e com presença de muitas pedras soltas. Com apenas duas horas de caminhada já estava fadigado, é nessa hora que começam as técnicas de caminhas.

Em um famoso sobe desce a trilha mostra sua verdadeira cara e apresenta com seriedade um cartão de visita sobre o que ainda reserva aos ousados visitantes.

Subidão “Deus que me livre”

O nome faz jus a sua inclinação, 1 hora e 10 minutos desde o descampado lá embaixo, chego no primeiro topo dela, onde havia uma clareira e nela aproveitei para descansar e relaxar os músculos das pernas. Mas ao olhar para frente, vejo que era só um colo serrano, não o topo propriamente dito, pois ainda havia mais um paredão a ser vencido. Desse ponto, já era possível avistar o topo.

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Subida (Deus que me Livre)

Trecho de trepa-pedra praticamente

Mais 30 minutos de escalaminhada árdua e finalmente, alcanço o topo do “Deus que me livre” já na casa dos 2.400 metros de altitude. E Logo encontrei uma pequena clareira para um merecido descanso. Do alto, pude me presentear com a visão de todo o trecho percorrido, com a fazenda e as plantações lá embaixo, a clareira onde fica o último ponto d´agua, a estradinha de terra, a pequena cidade de Passa Quatro e o trecho que ainda iria percorrer.

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Subida trepa pedra

Subida da misericórdia

Logo a frente depois de ter xingado todas as gerações de “Santos Trekkers” vem a subida da misericórdia. Até o topo do pico da ASA. Só de olhar cansava mesmo até a vista. Após passar pela crista do 3º morro, ainda iria descer até um pequeno vale na base do Pico da ASA, para então começar a subir. Nesse vale, há várias clareiras planas, protegidas do sol e do vento, mas assim como as pequenas clareiras do topo dos morrinhos, não há água próxima. Foi então que nessa hora que eu realmente eu decidi parar e alertar o meu guia (Leo) a executar o plano de volta.

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Subida da Misericórdia

Descansei um pouco respirei e voltei a caminhar pensando: se eu cheguei até aqui pra desistir, então porque me dei todo esse trabalho de vir pra esse lugar? Nessa hora me veio a cabeça a música (Disposable heroes – Metallica) do Album Master of Puppets, quando toco essa música na guitarra em casa, meus punhos ficam até inchados de tão rápida e pesada que é essa música, as palhetadas nas cordas são coisas de outro mundo, então cada passo a frete era como uma palhetada na guitarra.

Minha grande preocupação era ter disposição para voltar, depois de ter percorrido todo esse caminho, imaginei a volta, foi então que tomei a decisão mais importante da minha vida.

Eu quero chegar mesmo que seja para não voltar, e segui em frente louco de vontade, achei força e segui, parecendo os primeiros acordes de um show do Slayer.

Camping no Bambuzinho

A vontade de chegar ao cume era tão grande, que lá fomos nós, achando que o mais difícil tinha ficado pra trás, porém começamos a descer dai realmente fiquei preocupado e pensei, caramba nunca chega no cume. Eram quase 18:00 da tarde quando armamos acampamento, comemos e partimos para o sono profundo em baixo de uma chuva forte e raios que pareciam que estavam destruindo rochas

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Escuridão total

Acordamos as 04:00 da manhã e partimos para o ataque ao cume, eu estava sem mochila e mesmo assim parecia que não chegava nunca. Seguimos em frente, e encontramos mais capim, mais brejinhos, mais pedra pra subir e mais morro pra descer. Sinceramente, não me lembrava que tinha tantos morros antes de chegar à Pedra da Mina.

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Barraca pronta para dormir

Cume da Pedra da Mina

Finalmente chegamos à parede que dava acesso ao cume da Pedra, e nessa hora as forças já estavam tipo um bônus, foi quando o guia Léo disse:

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Livro de cume

 

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Missão cumprida

-Tio, você já esta na Pedra da Mina, vamos lá no livro. Nessa hora acho que não sei o que acontece com o corpo, mais não tem cansaço, fadiga, ou qualquer outra coisa que te deixe cair. Estava um vento e neblina extremo, porém não deu visual, seria muito legal a visão 360 do cume, nele você pode avistar:

01 – A cratera na base-2 da Pedra da Mina

02 – Trecho de caminhada pela crista

03 – Trecho da travessia para quem vem da Toca do Lobo e Pico do Capim amarelo

04 – Caminho da travessia da Serra fina

05 – Pico dos Agulhas Negras

06 – Maciço das Prateleiras

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Vento de até 80km

 

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Guia Léo e eu

Se você é montanhista que pratica a atividade apenas na temporada, vá consciente que a subida da Pedra da Mina é difícil, se você tiver preparo bem mais ou menos, prepare o psicológico, porque é uma subida bem hard core e exaustiva, principalmente se for pernoitar no cume, subir com peso faz muita diferença, contrate um bom guia, ele pode te ajudar a conquistar esse cume com segurança. Aproveite a caminhada e também esse lindo lugar.

Da um play no vídeo:

O QUE LEVAR:

01 – Cargueira confortável por volta de 60 litros
02 – Saco de dormir para baixas ou alta temperaturas (depende da época do ano)
03 – Isolante térmico
04 – Barraca (Pode ser compartilhada )
05 – Roupas para o frio e o vento
06 – Luva de frio
07 – Utensílios de cozinha (talheres, faca, pratos, canecas e panelas)
08 – Gorro, chapéu ou boné
09 – Meias para troca ( preferência dryfit )
10 – Bota com boa aderência
11 – Protetor solar
12 – Repelente
13 – Saco para armazenar lixo
14 – Pazinha
15 – Remédio de uso próprio
16 – Água 6 litros (volume estimado para consumo diário de 2,5 litros), pode levar garrafas vazias para serem preenchidas durante o trajeto;
17 – Alimentos leves que não necessitem cozimento
18 – Kit de higiene pessoal
19 – Barras e gel energéticos para rápida absorção do organismo
20 – Perneira
21 – Lanterna com baterias ou pilhas sobressalentes
22 – Fogareiro
23 – Gás reserva
24 – Manta térmica

Pra você que é #Das Trips essa é uma ótima opção para o seu roteiro de Aventura

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